terça-feira, 30 de junho de 2026

Tanto faz


O ser humano, como todo mundo já sabe, sempre arruma tempo para aquilo que vê como prioridade. Não é de hoje, também, que reclama que gostaria de fazer alguma coisa mais lhe falta tempo. De fato, é assim que é, no entanto, como fica quando pessoas se reúnem e as prioridades não se combinam?

Infelizmente, um exemplo desta natureza acontece em sala de aula. De um lado, professores querendo ensinar, de outro, alunos querendo aprender. Ué! - pode pensar o leitor, onde está o problema? Exatamente aí, pois, as prioridades são diferentes, porém, antes que se caia na tentação de achar que estamos a generalizar por aqui, não estamos. Todavia, exemplifico com um acontecimento muito recente que tive que passar.

Em sala de aula propus para a turma participarem de um projeto integrado multidisciplinar que iria reunir conhecimentos de quatro disciplinas para a elaboração de uma solução de tecnologia que serviria como projeto de conclusão de curso. Os estudantes já tinham passado por duas situações semelhantes comigo e esta seria a última já que é o último ano deles.

As regras impostas por mim eram simples e a proposta também: além da grade curricular faremos também o projeto, em paralelo ou não faremos; estudaremos apenas o que a grade curricular prevê. Abri votação secreta e foi unânime, quiseram o projeto. Quanto às regras informei que em dias de aulas do projeto, nada de celular em sala, nada de realizar atividades de outras disciplinas, pois, se algo em seu celular é mais importante do que os assuntos do projeto ou as atividades das outras disciplinas que não são do curso são mais importantes que as do projeto, então, nada feito, nada de projeto. Como consequência toda a turma será penalizada e não haverá projeto, ele será cancelado.

Caro leitor, adivinhe, no primeiro dia de 'startup' do projeto, eram três aulas; na primeira comecei a apresentação teórica, ninguém com celular e com foco na explicação; na segunda aula foi a apresentação prática, sem celular e foco na explicação. Porém, o sonho do professor de que iria dar certo terminou; na terceira aula, uma parte da turma retornou a usar o celular em sala e a realizar tarefas de outros professores, além de alguns, nem prestarem a atenção e ficarem de conversa paralela.

Como professor, vem o desapontamento, pois a juventude entende que o momento não é para isso, é para outras ocupações; a escola é um ponto de encontro para socializar, é um local de evento onde as responsabilidades e o papel de 'estudante' são relativizados. Pelo menos, se fosse passageiro e pontual, teria o seu peso, todavia, o que se vê na sociedade é a extensão de atitudes assim em todas as esferas e faixas etárias. Que o ser humano saia dessa dormência, amadureça, se torne responsável e leve sua vida pautada em princípios divinos, pois seria de grande valia para o corpo e para a alma "fazer aquilo que gostaria que fizessem com ele", "amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo"; estes são valores cristãos que direcionam a pessoa para uma vida de retidão.

Fonte: Jefferson Roger

Nenhum comentário:

Postar um comentário