quinta-feira, 21 de março de 2024

Professor sofredor


Pois é, tem que ser por amor à profissão. Você precisa, na medida do possível, aliar a necessidade do trabalho ao gosto pessoal. De fato, poder fazer o que se gosta em seu trabalho é uma situação muito vantajosa para a saúde do corpo e da mente. Até porque, em muitas ocasiões, às vezes até parecem ocasiões intermináveis, mesmo fazendo o que se gosta a pressão contrária é muito grande. Chega até ao ponto de nos fazer questionar o que é que estamos fazendo de nossa vida e de nosso tempo.

Hoje, na quinta aula que iria ministrar em uma turma de curso técnico de desenvolvimento de sistemas, uma turma com quase trinta alunos, as coisas saíram um pouco dos eixos. Era a terceira aula. Até então, nas quatro primeiras aulas (durante as últimas duas semanas), um máximo de oito alunos compareceram; dedicados, maduros e comprometidos, de fato estavam ali para aproveitar a oportunidade de se aprender uma profissão e com isso projetar um bom futuro profissional. Cheguei até a imaginar que quando a totalidade da turma estivesse engajada em comparecer às aulas, tudo ficaria como está. Estava errado; até alguns alunos tinham me advertido que os faltosos eram pessoas de baixa índole comportamental. Comprovei na prática.

Entrando pela sala me senti como um espírito, completamente invisível a quase todos. Aos que me “enxergaram”, recebi olhares de ódio, de indiferença, de desprezo, de dúvida e de tristeza, só para elencar os principais. Foi uma sensação muito triste, não ser recebido com o mínimo de educação e consideração. Afinal, não lhes fazia favor algum, estava ali por vontade própria para compartilhar conhecimentos e ajuda-los a aprender o que lhes fosse querido para o bem pessoal e profissional. Infelizmente, o controle precisou ser retomado de forma militarizada e todos precisaram ser contidos com a autoridade e rigidez necessárias.

Com ares de um pequeno motim, uma pequena rebelião, custou para a aula começar; direção e pedagogia foram envolvidas e as coisas pelo menos não terminaram mais mal do que potencialmente poderiam terminar. O saldo desta aula foi de muito pesar. Claro! Alguns lamentaram e doeram-se por mim, vindo ao desabafo e solidariedade. Mas o ocorrido não poderia mais ser desfeito. Só por Deus mesmo, para onde caminha a geração destes adolescentes? E seus pais? Que papel estão a desempenhar? Nem tudo está perdido, salvam-se ainda alguns. Que Deus permita que os bons contagiem os maus e não o contrário. Afinal, não nos pediu o altíssimo que rezemos por estes que nos tratam assim? É o nosso papel como seus filhos.

Fonte: Jefferson Roger


 

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